Por favor! Me dêem mais "Soma" !
Existe um sentimento raro e inexplicável que nenhum dinheiro compra. Aquele sentimento do ‘conseguimos’, o ‘vencemos’, o ‘descobrimos’, quando todos chamavam de louco você e aqueles que te apoiavam. Tenho a mais absoluta certeza que muitas pessoas bem sucedidas trocariam tudo que têm para começar tudo dinovo e sentir a mesma empolgação e vontade que sentiam no auge de suas aventuras. Álias sempre provam em doses homeopáticas deste sabor peculiar, que só quem está participando de algo empolgante sente, investindo seu tempo e disposição em coisas novas e experimentando, contrariando a famosa frase: “Em time que está ganhando não se mexe!”. Quando não querem arriscar demais, sempre buscam meios alternativos para sentir a mesma sensação, mas no fundo sabem que não tem o mesmo gosto!
O que move o ‘artista’, o ‘gênio’, o ‘empreendedor’, não é o dinheiro nem o prazer imediato, mesmo que todos falem ou pensem contrário. Sua satisfação é ver sua obra(s) no auge do sucesso e que alguns de seus feitos possam até ecoar por gerações. Ou mesmo provar aquele gosto novamente! E sim! Não se enganem! Ele dará sua própria vida e sangue para atingir tal objetivo! Ele é um louco incompreendido e vê arte onde pessoas comuns não conseguem ver nada. Sua paixão e amor transborda na qualidade de seu trabalho e as pessoas automaticamente se sentirão atraidas a amá-lo, odiá-lo ou desacreditá-lo.
Talvez uma visão romântica e passional demais, ou mesmo um olhar louco sobre um mundo frio, cruel e selvagem, que é o mundo ‘real’. Mas uma visão de quem acredita que pode mudar o mundo e as pessoas e de alguém que ‘pensa’ que consegue enxergar além de números, metas, lucro, prazeres de curto prazo e dinheiro, sendo este últimos, degraus para um propósito bem maior.
Esqueçam tudo que eu disse, pois eu sou louco! E por favor! Me dêem mais “Soma”!
ps: O titulo é uma referência clara ao livro “Admirável Mundo Novo”. Para quem não leu, copiei um parágrafo de uma análise do livro:
“Em Admirável Mundo Novo, temos uma civilização de excessiva ordem onde todos os homens eram controlados desde a geração por um sistema que aliava controle genético (predestinação) a condicionamento mental, o que os tornava dominados pelo sistema em prol de uma aparente harmonia na sociedade. Não havia espaço para questionamentos ou dúvidas, nem para os conflitos, pois até os desejos e ansiedades eram controlados quimicamente pelo “Soma”, sempre no sentido de preservar a ordem dominante. A liberdade de escolha estava restrita a poucas matérias da vida.”