04/07 2010

Sobre política e sociedade. Revoluções ou devaneios …

Entrei em uma discussão, onde fui perguntando quais as possíveis soluções para o problema da corrupção no Brasil e a apatia da população com relação aos crimes cometidos pelo políticos.

Algumas soluções:

1. Fim do voto obrigatório e tornar compra de votos um delito grave.Com o fim do voto obrigatório, muita gente não iria votar. Menos gente votando, a qualidade do voto aumenta. Muitos tentariam comprar votos e forçar pessoas a votar em troca de comida ou dinheiro, mas tornando esse delito crime sem fiança, e com a devida fiscalização, seria uma prática mais fácil.

2. Educação política e financeira nas escolas, no lugar de outras matérias.Uma coisa puxa a outra. Se eu ganho mais dinheiro, obviamente vou pagar mais impostos, e logo em seguida vou começar a questionar para onde está indo este dinheiro. Vou me informar e estudar um pouco de política, para poder pelo menos ter o conhecimento mínimo do meu voto. Com esta duas matérias no currículo, as crianças já começariam a dar importância para a vida política do país.

3. Proibir candidatos que tenham fica criminal a concorrer nas eleições.Isso já tem projeto de lei. 

Todos os itens acima tem projeto e tramitam no senado e câmara dos deputados. O problema é que a cobrança por parte da população ainda é muito pequena. A imprensa também não contribui para a conscientização, mais o cenário vem mudando aos poucos. A internet vem ajudando, pq era impossível realizar essa discussão sem ter um youtube, um gmail, etc … Teríamos que espalhar folhetins revolucionários nas portas de faculdades defendendo nossa idéia.

Muitos falam que a ditadura acabou. Mas ela está mais presente do que nunca. A ditadura da propaganda está presente em todos os lugares. Você vê propagandas e incentivos para comprar, ter filhos, fazer faculdade, arrumar um bom emprego, para poder comprar ainda mais e assim continua o ciclo. Você está tão preocupado com este ciclo, que é difícil pensar no coletivo ou no que está acontecendo. Enquanto o governo aproveita da “apatia e letargia” da população e nos rouba na cara dura.

É como estivéssemos numa “corrida dos ratos” (rat race). Vc é um pequeno ratinho, correndo em um roda, atrás do queijo. Fugir disso é bem difícil. A propaganda descarada, fala para você o tempo inteiro que a coisa mais legal do mundo é vc correr na roda, atrás do seu queijo. Isso entra no seu subconsciente e fica lá para o resto da sua vida, apoiando “suas” decisões.

Eu tenho muita esperança na mudança positiva, pois a internet facilitou em muito a organização de quem tem as mesmas idéias. Ainda é só o começo do que está por vir, mas este post que estou escrevendo neste exato momento é conseqüência de revolução tecnológica. Um video foi colocado no youtube. Um email foi disparado para uma lista de contatos. As respostas entram na discussão, e todos podem ler. Parece pouco, mas se compararmos ao estágio que estávamos há 10 anos atrás é um revolução imensa.

Como a internet é apenas uma ferramenta, e a sociedade é reflexo da cultura da época, vejo pequenas evidências de vontade de mudanças, que se fortalecem na rede, quando iguais se encontram e compartilham ideais. Porque a cultura do compartilhamento, e da vida social, reflete isso. 

Na Alemanha nazista, onde foram incinerados, decapitados, afogados, empalados, queimados e humilhados mais de 6 milhões de judeus, o índice de aprovação do governo nazista era absurdo. Coisa de 99%. A explicação é simples. Propaganda e imprensa comandam as sociedades. Quem controla esses meios, controla a população. Estabelece-se ai a ditadura da propaganda.

As nossas amáveis emissoras de TV querem que você compre, trabalhe o dia inteiro, veja sua querida novela ou BBB e assista aos intervalos comerciais para poder comprar ainda mais. Logo você é um “cidadão”. Você ficará tão cansado e estressado, que não terá tempo para pensar na política ou divagar sobre mudanças. 

Se eu quisesse matar 6 milhões de judeus, eu investiria muito em propaganda. E assim Hitler fez. Se eu quisesse controlar 200 milhões de pessoas, eu investiria muito em propaganda. E assim o governo faz indiretamente.

O problema dessa equação de comando e controle, quase perfeita, é que a internet não tem controle. Celebridades instantâneas, protestos, ou discursos, podem tomar proporções avassaladoras do dia para noite. Os governos não sabem e não tem como lidar com isso. A China tenta fazer uma censura, mas milhões de chineses veêm o que quer, através de alguns meios de burlar a censura.

“Eles” esperam que poderão controlar a internet, como fizeram com a TV e a mídia impressa. O problema central é que é totalmente impossível controlar redes, como a internet.

Estamos no inicio de uma revolução que vai ecoar por séculos. E a única coisa que eu sei, é que o poder do compartilhamento e da socialização de pessoas com os mesmos ideais, que a internet nos trás, é uma caixa de pandora. Ela obrigará o homem a repensar sua maneira de vida, pois o grito dos que perceberam que nosso estilo de vida não é sustentável, tão pouco saudável, vai se juntando a outros e se tornando cada vez mais forte, arrastando e causando revoluções, sendo elas boas ou más.

11/23 2009

Palestra sobre sociotecnologia na Unesp

Hoje eu e o Eliézer Pimentel realizamos uma palestra na Unesp aqui de Franca, sobre sociotecnologia para várias turmas de relações internacionais, a convite da AIESEC.

O auditório tinha aproximadamente 70 pessoas, e havia um professor convidado para ajudar a debater o assunto.

Gostei bastante da receptividade do pessoal ao assunto, e no final foi levantada uma discussão muito interessante pelo professor convidado.

Seria toda essa revolução tecnológica, apenas mais um passo do grande sistema capitalista que vem dominando a sociedade e quer continuar extraindo, excluindo e transformando cada de vez mais as pessoas ?

Questão dificil de responder, e na minha opinião a tecnologia é apenas mais uma ferramenta. Cabe ao homem saber como utilizá-la da melhor maneira possível.

Durante a apresentação fugi desta discussão capitalismo x socialismo que é totalmente improdutiva e busquei falar de fatos que mostram como “pode” ser nosso futuro, enquanto o Eliézer abriu a apresentação falando dos casos atuais do bom uso da tecnlogia. Falei sobre a geração Y e sobre a geração Z, e como eles, e nós, encaramos tudo isso.

No final, fechei com referências ao livro Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, e ao filme Blade Runner. Quem leu, ou viu o filme, sabe que tudo se baseia em escolhas que tomamos, e como encarar o resultado disso em sociedade.

A palestra está no slideshare:

Sociotecnologia


View more presentations from luisbebop.

O video gravado está no canal do youtube da planobe:

Minha palestra conta com alguns slides “roubados” de palestras de Gil Giardelli e Silvio Meira. Admiro esses dois revolucionários e deixo registrado aqui meu muito obrigado a esses dois grandes pensadores brasileiros que me inspiram todo os dias.

08/04 2009

Fotosumo - Vc está louco - Ricardo Semler

Acabei de ler o livro e vou destacar os pontos que mais me chamaram a atenção. Na verdade, eu vibrava a cada frase que lia. Finalmente encontrei uma pessoa que pensa 99% igual a mim, fala o quanto praticamos comportamentos muito idiotas, além de ser um empresário realmente inovador,sem ficar enrolando com aquele blá blá blá sem conteúdo ou formatado. As idéias dele realmente são originais, sendo um mix de estudos sobre grandes filósofos, experiência e intuição. Além de serem absurdamente simples, diferentes das convencionais, e muito lógicas! Tanto é que a primeira coisa que ele ouve ao falar sobre suas idéias é: “Você está louco!”

Estava fazendo um review sobre o livro da maneira convencional, só que iria levar muito tempo para digitar tudo e resumir. Como vou usar o livro para várias experiência, marquei os pontos do meu interesse e fotografei os mesmos. Estou colocando uma frase ou palavra chave e a imagem do texto logo ao lado. Espero que seja útil para alguém tão quanto está sendo para mim =).

E por favor, não me prendam pois isso aqui é para uso próprio. Não estou utilizando isso para fins de distribuição!

Mensagem aos formandos da FGV

Ganhar dinheiro, ser empresário e ter sucesso é muito pouco

Redondograma

Horário flexível

Complexidade de balanços e o resultado do “duro” trabalho dos empresários “bem sucedidos”

Conta de padaria é o suficiente, e como explicar o balanço a todos

Transparência, abertura de resultados e divisão de lucros - Parte 1 e 2

Como economizar sua folha de pagamento em 10%, aumentar a produtividade e dar 1 dia de folga a mais para todo mundo

Complexidade. A raiz de todo o mal!

Bilionários e a solução de miss Universo - Parte 1 e 2

Desprogramando rôbos e a Teoria das caixinhas - Parte 1 e 2

Adolescentes rebeldes ? Não! Burrice adulta …

Como inovar ? Contrate os que foram rebeldes na escola!

27% ao ano, nos últimos 14 anos, sendo louco!

Dinheiro não traz felicidade

07/29 2009

Teoria das caixinhas

Retirado do livro, “Você está louco!” do Ricardo Semler.

Simplesmente, sem comentários! Nunca esquecerei essa metáfora.

No mundo adulto, a idéia é deixar a vida pessoal para trás, sair de uma caixinha (apartamento) pela manhã, entrar em outra, sobre rodas (ônibus, metrô ou carro) e chegar em outra maior (escritórios ou fábricas sem vista para fora), para ficar o dia inteiro, e voltar via caixa-sobre-rodas para a caixa-mãe. Lá, é sentar na frente da caixinha-com-tela ou daquela caixa-com-internet, depois cair desacordado por sobre uma caixa-com-colchão. No dia seguinte, transitar novamente entre caixinhas. Que vida!

Na infância, a mãe deixa a criança na porta da escola, muitas vezes contra a vontade da bichinha, para ser “cuidada” e educada por terceiros. Uma caixinha da qual ela não pode sair, na qual ela é empilhada com outras 20 crianças, sem poder sair para o pátio (outra caixinha, aliás, da qual ela também não pode sair).

Se isso for treinamento para uma vida insossa em caixinhas claustrofóbicas, é realmente um sistema exemplar. Se for para ensinar à criança que a vida é cruel, que nunca é possível fazer o que se quer, que mais tarde tudo será assim - cinzento, duro e repetitivo -, então o sistema educacional é um sucesso. Prepara, de fato, a criança para o miserável mercado de trabalho que os pais míopes acham que será igual daqui a 15 anos, quando suas crianças virarem jovens adultos prontos para brigar, competir, atropelar e acotovelar, para serem capazes de comprar caixinhas maiores para morar, caixinhas mais rápidas para dirigir e caixinhas de canto no escritório para trabalhar. Onde pessoas dentro de caixinhas de organograma mandam em caixinhas de cronograma. Ora…

O que está no âmago do que os pais procuram na educação ? Afinal, as crianças são papéis em branco, prontas como esponjas para serem inculcadas com conhecimento e práticas sociais ? São matéria-prima para o difuso rei-pagão, o mercado de trabalho ? Devem ser sacrificadas no altar do emprego, para então serem declaradas sucesso ou fracasso, dependendo de quanto subirem na hierarquia das caixinhas ?

07/27 2009

“Não tenho tempo!” - Desculpa mentirosa =)

Todas os sistemas de gerenciamento de tempo, organização, programas, agendas e blá blá blá simplesmente não funcionam para mim. Venho nos últimos meses fazendo várias experiências comigo mesmo, e conseguir mais tempo livre é uma delas. Até agora, consegui tirar algumas conclusões. Como são resultados experimentais, feitos com apenas 1 cobaia, eu, isto pode variar se você resolver aplicar algo que digo aqui. Não me responsabilizo se vc conseguir no minimo 3 vezes mais tempo livre. Iria colocar aqui também 2 vezes mais dinheiro, mas é provável que liguem o filtro “porco capitalista” e não leiam até o final para entender a verdadeira essência.

1. Identificar quais são seus propósitos para o tempo livre. De nada adianta tempo livre, se vc não souber o que vai fazer com ele. Vale tudo: de dormir a ficar olhando as estrelas. Meu propósito era ter mais tempo livre para estudar: gerenciamento de pessoas e empresas, iniciativas inovadoras em negócios, educação e sociologia, e a tão famigerada questão, “pq vivemos ?”. Quero estudar e entender visões diferentes destes assuntos e existe muitos livros bons, além de dezenas de pessoas e lugares que posso conhecer e visitar para conversar sobre isso.

2. O próximo passo foi o “facão”. Como eu realmente queria aquilo sabia que deveria abdicar de várias coisas que gostava, ou pelo menos eliminar algumas. Tem muitas coisas que eu faço, e então eu pesquisei durante 1 semana, como meu tempo estava dividido. Descobri coisas interessantes.

1. esportes

2. noticias (valor econômico impresso, e na internet)

3. televisao (filmes, seriados, e sentar e ligar a tv, que é incrivel o tanto q eu gastava tempo nisso. Principalmente antes de dormir!)

4. namorada

5. video games

6. twitter

7. compras

8. programação 4fun

Feito isso, decidi eliminar ou cortar ao máximo a lista. Foi dificil, quase chorei. Mas minha motivação era maior, então venho conseguindo.

2. noticias - não leio mais nada de noticias. E se tiver que ler, apenas algum fato relevante sobre as empresas que tenho participação. Noticia boa, ruim e muito interessante, as pessoas vem correndo contar para vc. Então deixei elas filtrarem para mim.

3. televisão - amo filmes e seriados, além de documentários do History Channel. Decidi cortar em 1/3. Teria que selecionar. Se assistisse 3 seriados seria apenas 1, se assistisse 3 filmes seria apenas 1, se assisti 10 documentários, seriam apenas 3 (esse último eu assisto muito ainda). Ligar a TV para assistir ou ver uma programação não definida, nunca mais. Os bons documentários o Eliezer vem filtrando e me avisando, além de outras recomendações do meu pai. Então tá facil. O próximo passo que estou acumulando coragem é vender minhas televisão de plasma de 42 polegadas, ou colocá-la na sala , pq hj tá no meu quarto. Tá perto. Acho que ela não fica lá por mais uns 60 dias.

5. video games - lágrimas escorrendo, e uma vida inteira jogando video games. Mas não tinha jeito, o facão já estava definido. Passei a vida inteira jogando, então iria experimentar o que era não jogar. Minha mãe e meu pai, acharam que eu tinha pirado de vez. Como era possível uma pessoa mudar daquele jeito ? Primeiro vendi meu PS2, depois o Wii, e depois o Xbox 360.

6. twitter - de horas no twitter e readers abertos o tempo inteiro no mac, para no máximo 10 minutos no dia.

7. compras - item polêmico. O tempo que eu gastava pesquisando e comprando itens tecnológicos e brinquedos (gadgets) era enorme. De um novo mac, a um novo carro, a um novo celular. Então estabeleci e tento seguir que: “Só gastar dinheiro com coisas e serviços que sejam extremamente necessários ou me auxiliem no meu novo propósito.” O macbook pro estava praticamente encomendado, idem iphone 3gs; já eram. É dificil, pq todo mundo compra o tempo inteiro, e vc é meio que excluido de várias rodas onde estão falando sobre o novo carro ou o novo gadget, pq vc simplesmente não tem nada para falar. Eu simplesmente abano a cabeça com um sinal de sim. Promoção é uma palavra que se ouve 60% do dia. Sério. Tenho números cientificos. Fiquei analisando durante 1 semana, quantas vezes ouvia a palavra promoção, compra ou propaganda. É assustador. Quando você põe no papel e começa analisar, parece que todo mundo virou um zumbi falando ao invés de “cééééreeeebro” as palavras “promooooçãããooo”,”cooomppraaaa”, “pechiiiincha”. ( quem gosta de zumbis entendeu a piada =)

Restaram esportes, namorada e programação 4fun. Com o tempo livre que tenho agora,  estou conseguindo ler o dobro de livros que estava lendo, ficar mais com minha namorada, e dedicar mais aos esportes. Programação 4fun mantive o mesmo tempo, até pq já gastava muito nisso, =). Todas as atividades, incluindo as que eu cortei me davam muito prazer, mas depois de 2 meses de experiência, não sinto mais falta de nada, e parece que tirei um trator das costas. Com o dinheiro economizado, estou juntando para viajar para lugares inóspitos e diferentes, além de comprar mais livros obviamente.

Hoje me sobra bastante tempo. Dava para sobrar mais ainda, mas esse é assunto para outro post, sobre eficiência e como somos programados naturalmente para sermos totalmente ineficientes.

Também tem os contras para quem quiser se aventurar. No meu caso não me afetaram muito, pq minha motivação é milhares de vezes maior que tudo isso, mas serve de alerta:

1. Você ficará isolado, dependendo do ambiente ou a conversa ficará restrita a apenas pessoas que queiram discutir as mesmas questões que vc. Como já disse que “commmpppprrarr, peeeeccchiiinnncha” dominam os diálogos em 60% por ai, vc vai ter que dar um jeito.

2. Irão te chamar de hipócrita, dependendo do seu passado. Se vc comprou a vida inteira, e fez várias coisas do mesmo jeito há pelo menos 20 anos, vão te xingar. Ninguém gosta de mudança e quando alguém muda e segue para outro caminho, ele automaticamente vai ser apontado, ou excluído da tribo. Isto é um comportamento tribal que data do tempo da pedra, mas é incrivel como permanece ainda hoje nos grupos sociais.

3. Ouvirá: “Você é doido, isso não funciona para todo mundo, o mundo é assim e não é vc que vai mudá-lo.”, além da clássica entrevista procurando uma falha no seu comportamento e depois o belo: “Aha. Te peguei, vc faz isso! Seu contraditório. Volte para a normalidade.”

07/06 2009

O trabalho emburrece o homem

Muitos chegam a uma errada conclusão do titulo do livro que atualmente estou lendo. O “The 4-Hour Workweek” ou “A semana de trabalho de 4 horas”.

No final das contas mesmo sem ler ou entender do assunto ou do autor, pensam que se resume a um guia prático para trabalhar menos, e já se enchem de preconceito e conclusões precipitadas. Pessoas que trabalham menos, automaticamente são consideradas preguiçosas por padrão, pela maioria da sociedade.

Em um seminário que participei no Sebrae, com 40 empresários bem sucedidos, mais velhos e muito mais “experientes” que eu, fomos divididos em grupos em uma dinâmica para executar uma determinada tarefa. Todos os grupos montaram um linda linha de produção e começaram a trabalhar feito loucos para conseguir o melhor resultado, enquanto eu falei para meu grupo que aquilo não fazia o menor sentido. Precisamos ser eficientes e não trabalhar mais. Precisamos planejar e estudar como ser eficientes e não gastar todo o tempo montando um linha de produção burra. No meio de tantas pessoas tão experientes, com excelente formação e com negócios bem sucedidos, porque a opinião de um cara inexperiente iria fazer a diferença. Não preciso dizer que fui completamente ignorado com a resposta padrão: “Não temos tempo para isso, apenas ajuda a sua equipe! Não vai nos ajudar ? Cadê seu espiríto de equipe ?”. No final da dinâmica nosso grupo teoricamente foi o mais eficiente e ganhamos dos outros.

Estava nervoso, porque eu sabia que mesmo ganhando aquilo não fazia sentido e continuamos sendo ineficientes. Finalmente chegou a hora do feedback por parte dos instrutores que estavam organizando a dinâmica.

Perguntaram a meu grupo o que cada um achou e todos elogiaram o trabalho da equipe com um destaque negativo para a ovelha negra aqui, que contestou o trabalho e sentiram que eu não ajudei a equipe como poderia.
Ao chegar minha vez, falei que não estava contente com o resultado, pq mesmo ganhando, estávamos sendo muito ineficientes e nossa diferença em termos de número não era muito, perto dos outros grupos concorrentes. Que não planejamos como deveríamos ter feito e que se aquilo estava certo, e eu tivesse que concordar com aquilo, então alguma coisa estava muito errada. Imagina 40 pessoas que se consideram muito melhor que você, olhando para sua cara com aquela famosa frase escrita na testa: “Esse cara é meio louco.” Frase essa que sinceramente eu já perdi as contas de quantas vezes eu ouvi nos últimos anos.

A fala voltou para os instrutores e veio a conclusão.
“Apesar de vocês terem ganhado, todos os grupos foram extremamente ineficientes. Sinceramente eu nunca vi tanta gente ineficiente na minha vida. Vocês se acham tão bons e como podem apresentar essa porcaria de resultado ? A única diferença que dá para ver nesse grupo de 40 pessoas, é o Luis que o tempo inteiro fez e pensou como vocês deveriam ter pensando nessa dinâmica. Ele foi o único que pensou sobre eficiência e planejamento aqui, enquanto todo mundo estava preocupado em tirar o melhor desempenho de um mesmo modelo de linha de produção sem nem ao mesmo ter calculado o custo disso. Se é assim que vocês administram as empresas e as vidas de vocês, então posso dizer que vocês estão no caminho da falência!” (ponto)

E logo meu sorriso ficou estampado na minha cara, de uma orelha a outra.
Hoje lendo o “The 4-Hour Workweek”, notei um paragráfo que me fez lembrar essa situação. O melhor é que notei também que algumas pessoas já começaram com leves alfinetadas sem ao menos conhecer o assunto. Para essas pessoas eu só tenho a dizer que já passei por esse tipo de preconceito, e em escala muito pior que você possa imaginar. Aliás dá até para imaginar através da história deste post. Convido a essas pessoas a lerem o livro também, e tirarem suas próprias conclusões.

O último ponto que eu ligo é o significado do “Less is more” em metodologias de desenvolvimento agéis. Já ouvi n vezes, que o menos dessa frase ai significa menos features, e que é impossível um sistema com menos features ser mais !?. Muitos profissionais, incluindo eu mesmo, se sentem muito tentados a fazer mais que o necessário na hora da construção de um software, sempre implementando uma funcionalidade a mais, por mais pequenina que seja. E digo que esse comportamento não é a toa, pois fomos condicionados a vida inteira em uma crença errada de que quantidade de trabalho ou esforço é igual a recompensa, e isso chega no software como quantidade funcionalidades é igual a quantidade de satisfação do usuário. Isso é tão forte no nosso subconsciente que se não pararmos para pensar todo dia e treinarmos o tempo inteiro não conseguiremos nos livrar desse vicio, que só no faz perder tempo.

A verdade é que 20% das funcionalidades respondem por 80% da satisfação plena do usuário, e nós como desenvolvedores, ficamos 80% do nosso tempo fazendo lixo e ainda não paramos para pensar e tentar mudar esse quadro.

Nós como pessoas, ficamos 80% do nosso tempo fazendo coisas inúteis e muitas vezes ineficientes e nem ao menos paramos para pensar nisso.

Segue o paragráfo do livro “The 4-Hour Workweek” página 32:

“…3. Less Is Not Laziness.Doing less meaningless work, so that you can focus on things of greater personal importance, is NOT laziness. This is hard for most to accept, because our culture tends to reward personal sacrifice instead of personal productivity….”

Para quem não entendeu vai uma tradução rápida:

“…3. Menos não é preguiça. Fazendo menos trabalho sem sentido, você pode se concentrar em coisas de grande importância pessoal para você, e isso não é preguiça. Isso é dificil para a maioria aceitar, por causa que nossa cultura tende a recompensar sacrificio pessoal ao invés de produtividade pessoal….”

Para finalizar com chave de ouro, uma citação que também está no livro no início do capítulo 2.

“Everything popular is wrong.” - Oscar Wilde, The Importance of Being Earnest

06/16 2009

Por favor! Me dêem mais “Soma” !

Existe um sentimento raro e inexplicável que nenhum dinheiro compra. Aquele sentimento do ‘conseguimos’, o ‘vencemos’, o ‘descobrimos’, quando todos chamavam de louco você e aqueles que te apoiavam. Tenho a mais absoluta certeza que muitas pessoas bem sucedidas trocariam tudo que têm para começar tudo dinovo e sentir a mesma empolgação e vontade que sentiam no auge de suas aventuras. Álias sempre provam em doses homeopáticas deste sabor peculiar, que só quem está participando de algo empolgante sente, investindo seu tempo e disposição em coisas novas e experimentando, contrariando a famosa frase: “Em time que está ganhando não se mexe!”. Quando não querem arriscar demais, sempre buscam meios alternativos para sentir a mesma sensação, mas no fundo sabem que não tem o mesmo gosto!

O que move o ‘artista’, o ‘gênio’, o ‘empreendedor’, não é o dinheiro nem o prazer imediato, mesmo que todos falem ou pensem contrário. Sua satisfação é ver sua obra(s) no auge do sucesso e que alguns de seus feitos possam até ecoar por gerações. Ou mesmo provar aquele gosto novamente! E sim! Não se enganem! Ele dará sua própria vida e sangue para atingir tal objetivo! Ele é um louco incompreendido e vê arte onde pessoas comuns não conseguem ver nada. Sua paixão e amor transborda na qualidade de seu trabalho e as pessoas automaticamente se sentirão atraidas a amá-lo, odiá-lo ou desacreditá-lo.

Talvez uma visão romântica e passional demais, ou mesmo um olhar louco sobre um mundo frio, cruel e selvagem, que é o mundo ‘real’. Mas uma visão de quem acredita que pode mudar o mundo e as pessoas e de alguém que ‘pensa’ que consegue enxergar além de números, metas, lucro, prazeres de curto prazo e dinheiro, sendo este últimos, degraus para um propósito bem maior.

Esqueçam tudo que eu disse, pois eu sou louco! E por favor! Me dêem mais “Soma”!

ps: O titulo é uma referência clara ao livro “Admirável Mundo Novo”. Para quem não leu, copiei um parágrafo de uma análise do livro:

“Em Admirável Mundo Novo, temos uma civilização de excessiva ordem onde todos os homens eram controlados desde a geração por um sistema que aliava controle genético (predestinação) a condicionamento mental, o que os tornava dominados pelo sistema em prol de uma aparente harmonia na sociedade. Não havia espaço para questionamentos ou dúvidas, nem para os conflitos, pois até os desejos e ansiedades eram controlados quimicamente pelo “Soma”, sempre no sentido de preservar a ordem dominante. A liberdade de escolha estava restrita a poucas matérias da vida.”